Jorge Filó

Poesias, causos, acontecimentos e muito mais!

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Terra Blog

14.12.06

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  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 11:27:01

12.12.06

Duas poetas

A poética sertaneja sempre foi dominada pelo sexo masculino, em detrimento das várias poetas que existem no sertão nordestino. O que leva a crer, os incautos, e inexistência de tais poetas. Aqui destaco duas, dentre tantas outras, que poetizarão e poetizam, pelo sertão afora.

Rafaelzinha, de São José do Egito, é uma delas. Não tenho conhecimento se cantou de improviso, mas, seus versos são de um lirismo que impressiona. A outra é a poeta repentista Mocinha de Passira, que, ainda em atividade, é, na minha opinião, pouco valorizada e reconhecida, tanto pela bagagem poética, quanto pelo seu histórico no mundo da cantoria. Seguem duas estrofes, uma de cada, destas duas grandes poetas sertanejas.

 

Mocinha

 

Amor é vinha servido

Em alva taça pequena

Quem bebe pouco quer mais

Quem bebe mais se envenena

Quem se envenena de amor

Morrendo Deus não condena.

 

Rafaelzinha

 

Quem quiser sentir saudade

Faça do jeito que eu fiz

Vá para um lugar distante

Sem querer como eu não quis

Fique sem poder voltar

Que depois você me diz.

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 13:34:15

Dois genios

Numa amizade, que surgiu ainda na infância, os poetas, Manoel Filó e Zé de Cazuza, edificaram uma relação de respeito, confiança e poesia sobrando. Criaram, juntos ou separadamente, grandes obras da poética sertaneja universal. Durante muitos anos, foram amigos inseparáveis. Viajaram muito pelo sertão afora, atrás de cantorias, de novos poetas e com isso, alargando também, seu rol de amizades. Durante uma dessas viagens, vinham com destino ao Recife, e para passar o tempo na viagem, cantavam de improviso, de onde saíram estes dois, de tantos, belos versos no tema Depois da morte do dia.

Vale dizer, que os versos, de ambos, foram decorados por Zé de Cazuza, conhecido também, como O gravador humano, por conta da facilidade que tem em arquivar no juízo aquilo que lhe desperta o interesse.

  

Zé de Cazuza

  

Nesta hora o peregrino

Muda a marcha do andar

Baixa um profundo pesar

Na alma do assassino

Na igreja um velho sino

Saúda a Virgem Maria

Uma mãe na moradia

Beija uma filha que preza

Num casebre um velho reza

Depois da morte do dia

  

Manoel Filó

  

Numa cerca de aveloz

Depois do sol amparado

O vaga-lume assustado

Fica testando os faróis

Os pescadores de anzóis

Embocam na água fria

Ficam naquela agonia

Se uma piaba belisca

Termina roubando a isca

Depois da morte do dia

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 13:22:09

Seca inverno

Não temo em ser redundante em falar, recorrentemente, do sertão. É a minha terra de origem. Lá estão as raízes de minha arvore genealógica. Avós, pais, irmãos e toda minha família, materna e paterna.

O que escrevo, tem as duas faces. Nestes versos, retrato os dois quadros mais comuns naquela região; A seca, que castiga a maior parte do tempo. E o inverno, que quando vem, é festejado como um parto.

 

Seca

 

Sertanejo se acocora

Se encosta numa estaca

Vendo a chuva pouca e fraca

Vendo o mato que descora

Põe a mão na fronde e chora

Lamentando seu destino

Mas é no bater do sino

Quando a noite vence o dia

Que roga a Virgem Maria

Por seu povo nordestino.

  

Inverno

  

Sertanejo se acocora

Bem em frente do baixio

Espantado com o rio

Que a cerca leva embora

A enchente não demora

Cai a água em proporção

Ouve-se a voz do trovão

O nosso pai da coalhada

Quando é de madrugada

Tem planta nova no chão.

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 13:14:55

Poetica urbana

Sou um sertanejo, essencialmente, urbano. Minha vivencia rural, vem de um breve período, ainda na infância, que passei no sitio da minha Tia Maria e do meu Tio Zezim Moura – um grande amante do repente – período ainda nítido na minha memória.

Vivi e vivo os dois mundos, sou apaixonado pelo rural e, incondicionalmente, impregnado pelo urbano. A poética de ambas as vivencias, me alimenta a alma em proporções gêmeas.

Descrevo aqui dois poemas do universo do verso urbano com os quais me identifico, de dois poeta que li pouco mas que me impressionaram no pouco que li.

  

Política literária

  

O poeta municipal

Discute com o poeta estadual

Qual deles é capaz de bater o poeta federal.

  

Enquanto isso

O poeta federal tira ouro do nariz.

  

Carlos Drummond de Andrade

  

Classe média

  

Um médico

Ótimo na família.

  

Um engenheiro

Um arquiteto

Um magistrado

Ótimo

  

Um poeta

Melhor na família dos outros.

  

Geraldino Brasil

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 13:00:51