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Farra das boas, como sempre, na casa do poeta Ésio Rafael. Segue também uma glosa de lirinha que aparece na foto como Simone – minha esposa – junto dele, eu e o anfitrião.
Toda a minha visão é catingueira.
Minha sede é de água de quartinha.
Sou fantasma das casas de farinha.
Sou pedaço de vidro em fim de feira.
Ave bala, que tem mira certeira.
Um cordel de palavra incandescente.
Sou a presa afiada da serpente.
Que cochila nos pés do cangaceiro.
Esta noite eu retalho o mundo inteiro
Com a peixeira amolada do repente.
Lirinha
Nesta foto estou ladeado por ninguem menos que os poetas Orlando Tejo e Manoel Filó. Dois grande vates!
Enigma
Como um gripado que se apega ao lenço
Faz dias que sentado nesse toco
Todas as vozes místicas invoco
Face ao enigma que me deixa tenso
Que mão de gênio ou cientista imenso
Colocou água dentro deste coco
Quem desejou dar tanta vida ao oco
Ante o mistério quedo me suspenso.
Será possível que uma bola hermética
Seja violada sem perder a estética
Como os templos incólumes de Olinda
Este mistério vem dos babilônios
E os vinte e três milhões dos meus neurônios
Não conseguiram decifrar ainda.
Orlando Tejo
Popular - Erudito
Se fosse o erudito
Do popular o avesso
Como antes era dito
Sem rodeio e sem tropeço
Galdino que é daqui
Não seria qual Dali
Artes do mesmo endereço.
Fé
Eu nada sei do que sei
Como já filosofado
Muito em tudo que pensei
Está certo, estava errado
No sofisma dos ateus
Não acredito em Deus
Mas posso está enganado.
Humanidade
Somente a nossa espécie
É quem pode destruir
Ou, quem sabe, preservar
O que no mundo existir
Só a conscientização
Pode gerar a ação
Para o melhor construir.
Este é o bar do poeta Tadeu Cassiano, poeta caririzeiro da cidade Ouro Velho-PB. O ambiente, como todos vêem, é simples como as boas coisas do sertão. Assim como é simples o seu dono, um poeta de uma memória extraordinária, conhecedor de grandes estrofes, de grandes cantadores. O bar tem características bem peculiares; não se pode chegar bêbado, é proibido entrar sem camisa e, irremediavelmente, fecha a uma hora da tarde. Não importa quem, nem quantos sejam os clientes. Por isso quem for visitá-lo, trate de chegar cedo. Na foto acima vemos; sentada, a famosa Delvita – dona de um animado hotel-restaurante na cidade – encostada no balcão, a esposa do poeta Tadeu, encostado no balcão – tomando, bem dizer a décima cana – eu mesmo, apontando o lugar onde havia tido uma cantoria dias atrás, o proprietário do bar Tadeu Cassiano, depois vem o poeta Mauricio Menezes e sua esposa, numa visita memorável a este templo de poesia e boemia caririzeiro.