Jorge Filó

Poesias, causos, acontecimentos e muito mais!

Jorge Filó

Poesias, causos, acontecimentos e muito mais!
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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2006

30.11.06

Outro encontro massa!

categorias: Historias

 

Farra das boas, como sempre, na casa do poeta Ésio Rafael. Segue também uma glosa de lirinha que aparece na foto como Simone – minha esposa – junto dele, eu e o anfitrião.

Toda a minha visão é catingueira.
Minha sede é de água de quartinha.
Sou fantasma das casas de farinha.
Sou pedaço de vidro em fim de feira.
Ave bala, que tem mira certeira.
Um cordel de palavra incandescente.
Sou a presa afiada da serpente.
Que cochila nos pés do cangaceiro.
Esta noite eu retalho o mundo inteiro
Com a peixeira amolada do repente.

Lirinha

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 11:11:58

29.11.06

Grande encontro.

categorias: Poesias

Nesta foto estou ladeado por ninguem menos que os poetas Orlando Tejo e Manoel Filó. Dois grande vates!

Enigma


Como um gripado que se apega ao lenço
Faz dias que sentado nesse toco
Todas as vozes místicas invoco
Face ao enigma que me deixa tenso

Que mão de gênio ou cientista imenso
Colocou água dentro deste coco
Quem desejou dar tanta vida ao oco
Ante o mistério quedo me suspenso.

Será possível que uma bola hermética
Seja violada sem perder a estética
Como os templos incólumes de Olinda

Este mistério vem dos babilônios
E os vinte e três milhões dos meus neurônios
Não conseguiram decifrar ainda.

Orlando Tejo

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 19:29:09

Os bardos.

categorias: Historias
Os bardos, poetas, menestréis do improviso, levam as suas musas inspiradoras para os mais insólitos passeios. Cantar feitos impossíveis de proezas irrealizáveis, unindo o fantástico e o imaginário, são, as vezes, temas de glosas e repentes, construídos de forma inigualável, pelo pensamento célere destes magníficos artistas da oralidade.
Assim fizeram vários poetas repentistas, criando cenas do mais puro lirismo e heroísmo, melhor dizendo. Os poetas e amigos Manoéis, Chudú e Filó, dois, dos maiores gênios da arte do improviso, se utilizaram desta forma poética, para dar uma demonstração de seus poderes de repentistas. Foi daí, que nasceram estas duas pérolas da história infinda da cantoria de viola.


Chudú
Cantador pra enfrentar Manoel Chudú
É preciso pular como uma bola
Ter a curva do arco da viola
Ter o doce do mel da uruçu
Ter o suco da polpa do caju
O azeite do sumo da castanha
O tecido da teia da aranha
A beleza da pena da arara
O tacape do índio ubirajara
E destreza da fera da montanha.

Filó
Cantador pra enfrenta Manoel Filó
É preciso comer besouro assado
Dar pancadas com o gume do machado
Num angico que tem um sanharó
Se enrolar com uma cobra de cipó
Dá um chute num cão com hidrofobia
Mastigar na cabeça de uma jia
Se subir num coqueiro catolé
Se montar em Inácio Jacaré*
E viajar três semanas pra Bahia.


São estrofes assim, edificadas no impulso do improviso, que faz do repentista, o maior de todos os artista, representante da maior de todas as artes, o IMPROVISO. 


* A referencia a Inácio Jacaré, que viveu no Pajeú, se faz por conta de sua valentia, o que tornava a tarefa impossível.
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  • Postado em 19:06:19

Setilhas

categorias: Poesias

Popular - Erudito

Se fosse o erudito
Do popular o avesso
Como antes era dito
Sem rodeio e sem tropeço
Galdino que é daqui
Não seria qual Dali
Artes do mesmo endereço.



Eu nada sei do que sei
Como já filosofado
Muito em tudo que pensei
Está certo, estava errado
No sofisma dos ateus
Não acredito em Deus
Mas posso está enganado.

Humanidade

Somente a nossa espécie
É quem pode destruir
Ou, quem sabe, preservar
O que no mundo existir
Só a conscientização
Pode gerar a ação
Para o melhor construir.

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 10:41:29

Santuário da poesia!

categorias: Historias

Este é o bar do poeta Tadeu Cassiano, poeta caririzeiro da cidade Ouro Velho-PB. O ambiente, como todos vêem, é simples como as boas coisas do sertão. Assim como é simples o seu dono, um poeta de uma memória extraordinária, conhecedor de grandes estrofes, de grandes cantadores. O bar tem características bem peculiares; não se pode chegar bêbado, é proibido entrar sem camisa e, irremediavelmente, fecha a uma hora da tarde. Não importa quem, nem quantos sejam os clientes. Por isso quem for visitá-lo, trate de chegar cedo. Na foto acima vemos; sentada, a famosa Delvita – dona de um animado hotel-restaurante na cidade – encostada no balcão, a esposa do poeta Tadeu, encostado no balcão – tomando, bem dizer a décima cana – eu mesmo, apontando o lugar onde havia tido uma cantoria dias atrás, o proprietário do bar Tadeu Cassiano, depois vem o poeta Mauricio Menezes e sua esposa, numa visita memorável a este templo de poesia e boemia caririzeiro.

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 10:27:45