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Este é meu avô materno, Antônio Sebastião de Menezes, mas conhecido por todos em São José do Egito, como Cabôco Paulo, Seu Cabôco. Estas fotos foram em junho deste ano por ocasião das comemorações de seu centenário. Isso mesmo, Seu Cabôco tem cem anos de uma existência acima de qualquer suspeita, dos pontos de vista ético e moral.
Homem simples, católico praticante, dedicado a família – teve cinco filhos – com os ofícios de agricultor, caminhoneiro e mecânico, Seu Cabôco criou e educou as quatro filhas – uma delas minha mãe, na foto abaixo com ele – em colégios internos, e foi casado durante mais de 75 anos com minha vó, Ermira Francisca de Menezes, Dona Mira, já falecida. Seu Cabôco, nunca foi muito dado a poesia, mas como todo bom sertanejo do Pajeu, não foge a regra.
Veja como são bem feitas
As coisas da natureza
O espinho da macambira
Nasce pra sua defesa
Um pra frente, outro pra traz
Prevenindo a incerteza.
Mas esta historia é comum a muitos outros sertanejos vivedores. O que é peculiar em Seu Cabôco, é o fato de ele, já com mais de 90 anos, ter passado por uma cirurgia para tirar um coagulo do cérebro, em Serra Talhada, e algumas semanas depois está em casa vendendo saúde. Isso só já seria uma proeza, mas, a quase um mês atrás, ele nos surpreende de novo – graças a Deus – quando teve um principio de AVC, e novamente está recuperado e com a saúde em dia.
Quando falo de saúde, falo de homem de cem anos, com esse histórico, que se mantém lúcido, caminhando diariamente – sozinho – conversando e reconhecendo os mais próximos. Isso, é motivo de orgulho para toda família. Espero ter herdado sua longevidade. Tai, Antonio Sebastião de Menezes, Seu Cabôco Paulo, um sertanejo exemplar.
Um cochilo na rede, sob o umbuzeiro em fente a casa do Poetamigoirmão Zé de Cazuza, onde sempre ia, para momentos de descanso e muita poesia. A casa do poeta Zé, é um verdadeiro santuário da mais bela, pura e autêntica poética do repente. Todos da família são ligados a poesia, que sempre esteve presente em sua moradia, desde os tempos dos avós. Bem como, na presença dos ilustres visitantes.
Casa de Zé de Cazuza
Um templo de poesia
Onde um verso sempre ecoa
A qualquer hora do dia
Ambiente prazenteiro
Onde sob um umbuzeiro
Manoel Filó Dormia.
Era ali que construía
Suas mais belas imagens
Do sertão que tanto amava
Decantando as paisagens
De planícies e montanhas
Rebuscadas nas entranhas
Trazidas pelas aragens.
Eram comuns as viagens
Para saciar a sede
De escutar cantorias
Assistir pés de parede
Num ambiente tranqüilo
E feliz dá um cochilo
Deitado na sua rede.
Jorge Filó – 05.12.2006
Quem gosta das coisas do sertão, a cultura, a comida, o artesanato e, principalmente, de seu povo, tem no Recife, um cantinho que nos remete a está terra, que é mais um estado de espírito, que um lugar, geograficamente falando. Fica lá no mercado da madalena e pertence as irmãs serratalhadences, Neurides e Nelcita Ferraz, duas sertanejas autênticas. É o Box Sertanejo, hoje um consagrado ponto de encontro de poetas, músicos, escritores, declamadores e, é claro, bons bebedores de uma boa cachaça e das mais verdadeiras manifestações da nossa cultura popular do sertão. Livros, CDs, cordéis, apregatas de couro, fazem parte do rosário de troços que lá são vendidos, alem da parte gastronômica; lingüiça e carne de bode, queijos de manteiga, coalho e cabra, pimentas, e uma grande variedade de doces, licores, cachaças... O Box, sem dúvida alguma, vale uma visita e está aberto de terça a domingo, tendo aos sábados, a partir das 10h, o já tradicional encontro dos amigos sertanejos de todos os lugares. Na foto acima, tarde de declamação em frente ao box.
Farra das boas, como sempre, na casa do poeta Ésio Rafael. Segue também uma glosa de lirinha que aparece na foto como Simone – minha esposa – junto dele, eu e o anfitrião.
Toda a minha visão é catingueira.
Minha sede é de água de quartinha.
Sou fantasma das casas de farinha.
Sou pedaço de vidro em fim de feira.
Ave bala, que tem mira certeira.
Um cordel de palavra incandescente.
Sou a presa afiada da serpente.
Que cochila nos pés do cangaceiro.
Esta noite eu retalho o mundo inteiro
Com a peixeira amolada do repente.
Lirinha