Jorge Filó

Poesias, causos, acontecimentos e muito mais!

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12.12.06

Dois genios

Numa amizade, que surgiu ainda na infância, os poetas, Manoel Filó e Zé de Cazuza, edificaram uma relação de respeito, confiança e poesia sobrando. Criaram, juntos ou separadamente, grandes obras da poética sertaneja universal. Durante muitos anos, foram amigos inseparáveis. Viajaram muito pelo sertão afora, atrás de cantorias, de novos poetas e com isso, alargando também, seu rol de amizades. Durante uma dessas viagens, vinham com destino ao Recife, e para passar o tempo na viagem, cantavam de improviso, de onde saíram estes dois, de tantos, belos versos no tema Depois da morte do dia.

Vale dizer, que os versos, de ambos, foram decorados por Zé de Cazuza, conhecido também, como O gravador humano, por conta da facilidade que tem em arquivar no juízo aquilo que lhe desperta o interesse.

  

Zé de Cazuza

  

Nesta hora o peregrino

Muda a marcha do andar

Baixa um profundo pesar

Na alma do assassino

Na igreja um velho sino

Saúda a Virgem Maria

Uma mãe na moradia

Beija uma filha que preza

Num casebre um velho reza

Depois da morte do dia

  

Manoel Filó

  

Numa cerca de aveloz

Depois do sol amparado

O vaga-lume assustado

Fica testando os faróis

Os pescadores de anzóis

Embocam na água fria

Ficam naquela agonia

Se uma piaba belisca

Termina roubando a isca

Depois da morte do dia

  • criado por  Jorge Filó criado por Jorge Filó
  • Postado em 13:22:09
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