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A poética sertaneja sempre foi dominada pelo sexo masculino, em detrimento das várias poetas que existem no sertão nordestino. O que leva a crer, os incautos, e inexistência de tais poetas. Aqui destaco duas, dentre tantas outras, que poetizarão e poetizam, pelo sertão afora.
Rafaelzinha, de São José do Egito, é uma delas. Não tenho conhecimento se cantou de improviso, mas, seus versos são de um lirismo que impressiona. A outra é a poeta repentista Mocinha de Passira, que, ainda em atividade, é, na minha opinião, pouco valorizada e reconhecida, tanto pela bagagem poética, quanto pelo seu histórico no mundo da cantoria. Seguem duas estrofes, uma de cada, destas duas grandes poetas sertanejas.
Mocinha
Amor é vinha servido
Em alva taça pequena
Quem bebe pouco quer mais
Quem bebe mais se envenena
Quem se envenena de amor
Morrendo Deus não condena.
Rafaelzinha
Quem quiser sentir saudade
Faça do jeito que eu fiz
Vá para um lugar distante
Sem querer como eu não quis
Fique sem poder voltar
Que depois você me diz.
criado por Jorge Filó
13:34:15