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Não temo em ser redundante em falar, recorrentemente, do sertão. É a minha terra de origem. Lá estão as raízes de minha arvore genealógica. Avós, pais, irmãos e toda minha família, materna e paterna.
O que escrevo, tem as duas faces. Nestes versos, retrato os dois quadros mais comuns naquela região; A seca, que castiga a maior parte do tempo. E o inverno, que quando vem, é festejado como um parto.
Seca
Sertanejo se acocora
Se encosta numa estaca
Vendo a chuva pouca e fraca
Vendo o mato que descora
Põe a mão na fronde e chora
Lamentando seu destino
Mas é no bater do sino
Quando a noite vence o dia
Que roga a Virgem Maria
Por seu povo nordestino.
Inverno
Sertanejo se acocora
Bem em frente do baixio
Espantado com o rio
Que a cerca leva embora
A enchente não demora
Cai a água em proporção
Ouve-se a voz do trovão
O nosso pai da coalhada
Quando é de madrugada
Tem planta nova no chão.
criado por Jorge Filó
13:14:55